| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Aves |
| Ordem: | Tinamiformes |
| Família: | Tinamidae |
| Gray, 1840 | |
| Espécie: | T. solitarius |
Macuco é uma ave que pertence à família dos tinamídeos, cujo nome científico Tinamus solitarius. É uma espécie cujo nome de origem vem do tupi-guarani, (mocoico érê) e do tupi (ma’kuku).
Seu nome científico significa: do idioma (galibi) de Caiena tinamú = nome específico para esta espécie de ave; e do (latim) solitarius = solitário, só. ⇒ Tinamú solitário.
Atinge até 52 centímetros e entre 1,5 a 2,0 quilos de peso médio. As fêmeas geralmente são maiores e mais pesadas que os machos. Há relatos de fêmeas pesando 2,5 quilos, ainda abaixo das fêmeas de Tinamus tao, a azulona da Amazônia, que atinge os 3,0 quilos,
Possui coloração geral acinzentada com da matiz verde-oliva, pequenas manchas negras lineares e desenho críptico nas penas traseiras (retrizes), de cor marrom-ferrugem. Pescoço com linha longitudinal bege sujo.
Oficialmente não possui subespécies.
Diversos ornitólogos questionam a recente invalidação da subespécie nordestina, descrita por Berla, baseada numa pele.
Desconsiderou-se essa descrição de Berla, e os diversos relatos de antigos mateiros e caçadores, que conheciam bem o macuco do Sudeste e o do Nordeste, e confirmavam diferenças de coloração da plumagem e de seu porte físico,
A justificativa para essa invalidação baseou-se numa questionável conclusão: “Não estando disponíveis maiores evidências físicas da forma nordestina, então essa nunca existiu.” (!!??!). Algo quase cômico.
Ou seja, desconsiderou-se o sábio preceito cientifico que ressalta: “A ausência de provas, não significa a prova de ausência.”
A ave se alimenta basicamente de sementes, frutos duros como coquinhos de palmito, tangerina do mato, insetos, vermes e pedrinhas que encontra junto a frutos caídos no solo.
Como na maioria dos tinamiformes, o macho do macuco incuba os ovos (3 a 5) por 19 a 21 dias. Os ovos são de coloração verde azulada. Cria os filhotes com grande cuidado parental. Seu ninho é rudimentar, normalmente localizado entre as raízes de grandes árvores ou ao lado de troncos caídos. Quando no choco, é possível aproximar-se muito do ninho, e alguns mateiros conseguem capturar a ave com as mãos. .
Sua reprodução em cativeiro é bem-sucedida, devendo ser incentivada para o repovoamento das florestas remanescentes, paralelamente ao replantio de mata nativa, em áreas desflorestadas ou degradadas, garantindo a preservação futura dessa espécie e de outras tantas da Mata Atlântica.
Habita a Mata Atlântica primária sempre próximo a riachos, em áreas acidentadas, inclusive em grotas e encostas pedregosas, locais que facilitam o empoleirar e dificultam a ação de predadores terrestres. Sua vocalização principal consiste em um único pio meio agudo e bem espaçado, sendo o pio do macho mais curto que o da fêmea. Emitem também um chororocado, e na época da reprodução, quando empoleiram, emitem três pios seguidos. As fêmeas são dominantes e territoriais, e um casal geralmente se localiza no limite de audição do pio de outro casal, ou seja, aproximadamente a cada 200-250 metros. Tomam banho constantemente.
Estudos indicam que o piado do macuco evoluiu de modo a ressoar de forma desfocada, dificultando a localização da ave por predadores, sendo que apenas outro macuco identifica com exatidão a fonte, uma estratégia evolucionária de sobrevivência. Aos ouvidos humanos, piados acima dos 40 metros de distância, na mata, requerem uma atenção maior para o observador da ave, em comparação à vocalização de outros tinamídeos da Mata Atlântica.
A principal ameaça que contribui para o risco de extinção dessa espécie é a do desmatamento, pois a ave não se adapta à mata secundária, por essa apresentar densa vegetação rasteira, impedindo a visão e o deslocamento da ave. A pressão cinegética ainda existe, mas dadas as dificuldades em atrair essa arisca espécie no pio, não seria um fator decisivo de ameaça.
Os tinamídeos do gênero Tinamus (no Brasil: T. solitarius, T. major, T.tao e T. guttatus), empoleiram para dormir, e como quase não possuem o dedo de trás, o fazem em galhos grossos (entre 4 e 12 metros do solo), usando os tarsos serrilhados para se equilibrarem. Os dedos ficam estendidos à frente, sem tocarem a madeira. É comum haver, sobre o poleiro escolhido, uma abertura na folhagem que permita o voo de fuga da ave. Segundo relatos de mateiros e caçadores, há algumas espécies de árvores preferidas pelo macuco, para empoleirar.
Essa aparente forma instável da ave empoleirar, é enganosa, pois permanece firme mesmo sob temporais e ventanias. Por outro lado, basta algum predador arranhar o tronco da árvore, tentando alcançar a ave, que essa alça rápido vôo de fuga, tamanha a sensibilidade em seus tarsos.
Os macucos geralmente frequentam trilhas na mata. Tal comportamento talvez esteja ligado à possibilidade de avistarem, mais facilmente, a aproximação de predadores.
Em áreas bem povoadas por macucos, mateiros, para os atraírem, entre outros métodos, “riscam” o solo com o pé ou facão, expondo a terra úmida numa faixa de 5 a 10 metros por meio metro de largura. A ave sente o odor da terra exposta e é atraída pela possibilidade de encontrar vermes facilmente, como ocorre na queda de árvores na floresta. Piar grilo com um apito especial, também é usado.
Essa técnica auxiliar, em conjunto com a do pio, também pode ser utilizada por birdwatchers ou fotógrafos, para registrá-lo. Convém estar bem abrigado nas proximidades, em uma choça feita com folhas de palmeiras espetadas no solo, ou mesmo usando “cortina” de tecido camuflado, recoberta por galhos. Sempre feita aos pés de uma arvore grossa, ou entre suas catanas, protegendo e ocultando as costas do observador. Não recomendo o método caboclo do jirau ou observação sobre árvores baixas, pelo risco de quedas. — Marcos Massarioli.
Além do homem, o macuco tem predadores naturais como
Guaxinins, cachorros do mato, gambás, furões, gatos do mato, irara, jaguatirica, quatis, gaviões, corujas e onças.
Há o ditado popular que diz: “A onça pia o macuco, mas pia feio.” Há duvidas sobre se isso é um fato real.
Predadores indiretos como lagartos, queixadas e catetos, podem atacar seus ovos e filhotes. Uma ameaça exótica crescente é a do javali, que dizima toda a fauna silvestre brasileira terricola, devendo o mesmo ser eliminado por todos os meios.
Mata Atlântica nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul do Brasil. Também ocorre na Mata Atlântica do sul de Goiás.